Literatura, opiniões, memórias, autobiografias, e demais diletantices.
Sábado, 28 de Maio de 2016
ENSINAR, COMOVER E DELEITAR (A propósito das crónicas de Pedro Mexia)
ARTE DA VIDA

José Cutileiro, nas crónicas de A.B. Kotter (inglês a viver em Colares, ex- agente secreto do MI 15 e que haveria de morrer afogado na Argentina) escreve que sua mãe era uma wagneriana - e era das piores porque se converteu em crescida. Ora eu, que não sou um wagneriano tardio, serei um admirador de Pedro Mexia tardio o que pode ser visto como um entusiasmo adolescente.
Escrevia Manuel António Pina, e quem não se lembra das suas crónicas no JN?, em 2012 no prefácio a “O Mundo dos Outros”:

"Aprende-se muito com estas crónicas de Pedro Mexia (eu aprendi), quer acerca de literatura e outras artes – fotografia, BD, música, cinema, teatro, ou mesmo design publicitário; e, principalmente, da conturbada e incansável arte da vida, não é por acaso que a presente recolha se intitula “O Mundo dos Vivos” – quer acerca da complexa, e não raro sórdida, natureza dos homens e das sociedades humanas; e, sim, há aqui muita informação, isto é, muito jornalismo. E aprende-se com inesperado prazer, coisa essa, o prazer de ler, quase tão improvável de encontrar hoje em jornais quanto informação desinteressada.
Rudolfo Agrícola escreveu no século XV que a literatura serve ut doceat, ut moveat aut delected, que é como quem diz para ensinar, para comover e para deleitar".

Depois das crónicas, vou agora desbastar as memórias que, com os diários, fazem um dos meus géneros literários preferidos.


publicado por Dito assim às 20:07
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Sexta-feira, 13 de Maio de 2016
A Rendição de Breda de Velasquez (1635)

Velázquez_-_de_Breda_o_Las_Lanzas_(Museo_del_Prad

Não tenho palavras.



publicado por Dito assim às 18:03
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2016
Alguns quadros de cinismo político

O meu avô, administrador de quintas no Douro, foi colega de carteira de José Domingues dos Santos, que chefiou o ministério republicano de 1924 – um prodígio de radicalismo favorecido pelo presidente incumbente, Manuel Teixeira Gomes. O objectivo de Domingues dos Santos era o de "controlar o défice", galopante e desgovernado, mas também o de exercer um "controle mais exigente" sobre o país. Só isso explica que, em vez de acumular a chefia do governo com a Fazenda, tenha preferido a pasta do Interior, que dizia respeito às polícias e à vigilância. Durou três ou quatro meses; durante esse período, uma milícia republicana assaltou o escritório do meu avô. Foi uma operação despropositada; o meu avô era um homem cordato e discreto. Guerra Junqueiro, que morrera no ano anterior, em 1923, recebia-o na Quinta da Batoca, em Barca d’Alva, onde se dedicavam à contemplação dos crepúsculos, a diálogos sobre o míldio, à contabilidade – e, uma vez ou outra, à comunhão que podia existir entre dois homens desiludidos: Guerra Junqueiro, com a República; o meu avô, com a oposição ao regime e a possibilidade de implantar o "sistema inglês".

 

A ideia de importar o "sistema inglês" era impossível de concretizar: faltavam recursos, faltava uma nobreza séria, faltava a monarquia e, naturalmente, faltava a Inglaterra. O velho Doutor Homem, meu pai, prolongou o desvario: detestava o dr. Salazar, julgava-se um conservador do Surrey, lia o ‘Daily Telegraph’ e citava Benjamin Disraeli num país que tinha sobrevivido a uma guerra, ao constitucionalismo e à ditadura republicana, sem falar do mau feitio da Tia Benedita, a matriarca miguelista da família, que até a morte vir buscá-la temeu o regresso de Afonso Costa para roubar as igrejas e instalar bolchevistas nas comarcas do Minho.

 

Não houve nenhuma catástrofe. O ministério de Domingues dos Santos pediu desculpas ao meu avô pelos abusos dos milicianos. O dr. Afonso Costa morreu em França, e o Tio Henrique (o melómano dos Arcos de Valdevez) chegou a imitar- -lhe vagamente a barbicha para assustar a Tia Benedita. O meu avô sobreviveu à fuga dos ingleses do Douro. O velho Doutor Homem, meu pai, insistia que de vez em quando era preciso um governo de esquerda para que se instalasse a esperança de uma normalidade futura. Ele tinha lido Lampedusa; o mundo não o surpreenderia.


(Do Correio da Manhã - Crónicas de um reacionário minhoto em Moledo).  



publicado por Dito assim às 20:10
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"Somos todos felizes outra vez."


Dos "Bilhetes de Colares" de A.B.Kotter em 1993:

"É verdade que acabámos com o comunismo - uso o verbo na primeira pessoa porque quando estive no M15 também meti o ombro à roda -, mas bem podemos limpar as mãos à parede. Várias noites sonho que Brejnev ainda está vivo e somos todos felizes outra vez."

 

Este texto é da autoria de José Cutileiro, um dos meus cronistas preferidos.

...

Para os jovens:
1- O M15 são os serviços secretos ingleses e Kotter, reformado, vivia em Colares, Sintra.
2- Brejnev (1906-1982) foi um chefe de estado que esteve à frente da liderança da União Soviética entre 1964 e 1982.

 



publicado por Dito assim às 19:44
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Sábado, 7 de Maio de 2016
OS NEGÓCIOS E A SUBSERVIÊNCIA

O acordo ortográfico de 1990 foi ontem discutido no programa "A Ronda da Noite" na Antena 2, por Malaca Casteleiro (a favor) e Teolinda Gersão (contra).
São 50 minutos de debate muito útil para quem estiver interessado. A minha opinião é que os negócios e a subserviência ditaram o referido Acordo, como, aliás Teolinda Gersão muito bem explicita:
Podem ouvir, se atentamente, em:

 

 
O Acordo Ortográfico volta a estar em cima da mesa? Na véspera do Dia da Língua Portuguesa A Ronda recupera a discussão entre Malaca Casteleiro e Teol
rtp.pt
 


publicado por Dito assim às 11:44
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Em Guimarães no Toural em 26 de Abril de 1974

O Toural às 19 horas de 26.4.1974. Vê-se com a bandeira de Portugal o advogado Dr. Salgado Lobo. Filmado em Super8 pelo meu irmão.

 


publicado por Dito assim às 11:42
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O 25 DE ABRIL DE 2016

"Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo"

Ontem foi um dia bom. A homenagem a Salgueiro Maia,os discursos do PR,a abertura às pessoas do Palácio de S. Bento, as manifestações...
O outro e os outros arredados.



publicado por Dito assim às 11:40
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O QUE DIZIA O POETA URUGUAIANO (1920 – 2009), MÁRIO BENEDETTI:

 

"O passado é uma casa que nunca chegamos a abandonar de vez, apesar de, ao nos mudarmos para o presente, alimentarmos a ilusão de termos fechado a sua porta para sempre."



publicado por Dito assim às 11:39
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Oh, Europa, Europa

Cinema épico. "O olhar de Ulisses" (1995) de Theodoros Angelopoulos, música de Elen Karaindrou. Filmado na Sérvia. Gian Maria Volonté morreu durante as filmagens e por isso o filme foi-lhe dedicado. Europa, Europa...

 
To vlemma tou Odyssea (1995) Director: Theodoros Angelopoulos Music: Eleni Karaindrou
youtube.com


publicado por Dito assim às 11:37
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Apenas o final da obra-prima de Alban Berg "Wozzeck"

Música que me arrepia até à espinha. (Resposta a António Cruz Mendes)

Este final da ópera "Wozzeck" de Alban Berg, uma das minhas preferidas, este final...
Maria é assassinada por Wozzeck, seu marido, e o filho brinca com o seu cavalinho de pau.

 
Wozzeck - Toni Blankenheim
youtube.com


publicado por Dito assim às 11:34
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